Processo de Saúde e Doença Visão Bio-Psico-Social

Por Dr CLICIO J. DEZORZI

Desde os primórdios das civilizações lá no antigo Egito com o primeiro médico Imhotep passando pela Grécia com o pai da medicina Hipócrates, aos tempos de Jesus Cristo, ao tratado de medicina escrito por Claudius Galeno e a renascentismo algumas reflexões sobre o cuidado em saúde na atualidade, especificamente sobre o cuidado estabelecido pelas normas sanitárias brasileira, denominado  paradigma biopsicossocial, que busca superar o paradigma curativista ou biomédico, se refletindo em transformações no conceito de saúde, na compreensão sobre o processo saúde-doença, na organização do sistema brasileiro de saúde pública e nas práticas profissionais em saúde.

Dr CLICIO J. DEZORZI

Busca-se estabelecer um diálogo da área da saúde com a produção teórico-conceitual de Fernando González Rey sobre a subjetividade na perspectiva da psicologia histórico-cultural, que vem a contribuir para a efetivação do paradigma biopsicossocial, por meio de transformações na formação profissional e nas práticas profissionais em saúde.

Entendo que pela visão crítica e em um viés de difusão de conhecimento e conceitos bem estabelecidos por uma sociedade doente sob o ponto de vista psicológico, cronificando doenças físicas e biológicas pré existentes (Séculos XX e XXI), onde a industrialização e informatização relacionam-se com a nuvens e máquinas e não com o paciente bio-psico-social, nos leva a uma reflexão sobretudo sobre a reforma sanitária brasileira e as práticas de saúde atuais.

Inicialmente observamos a formação profissional em saúde, considerando que as transformações preconizadas pela reforma têm reflexos diretos nas práticas profissionais em saúde, como também na formação e no desenvolvimento profissional da mesma.

A formação está ancorada no modêlo biomédico, esta situação favorece a construção de uma postura de desconsideração aos aspectos psicosociais tanto do profissional como ao dos pacientes.

Por outro lado os pré-requisitos básicos para que uma população possa ser considerada saudável estão: paz; adequada em tamanho por habitante, em condições adequadas de conforto térmico; educação pelo menos fundamental; alimentação imprescindível para o crescimento e desenvolvimento das crianças.

Se faz necessário também ecossistema saudável preservado e não poluído; justiça social e equidade garantindo os direitos fundamentais dos cidadãos(Carta de Ottawa, 19861 apud SANTOS; WESTPHAL, 1999).

Em 1977, no artigo da revista científica Science,[2] o psiquiatra George L. Engel chamou a atenção para “a necessidade de um novo modelo médico” e, utilizando um exemplo hipotético, demonstrou a relação entre diversos fatores que podem influenciar na doença de um paciente.[4] Assim, o exemplo de Engel oferece um ponto de partida para uma compreensão mais ampla da prática clínica.

O modelo biopsicossocial mantém contato com diversas disciplinas, principalmente aquelas que possuem um enfoque nos três fatores principais ao qual o modelo propõe analisar, sendo eles:

  • Componente Biológico: procura compreender como a causa da doença decorre no funcionamento do corpo do indivíduo.
  • Componente Psicológico: procura potenciais causas psicológicas para um problema de saúde, como a falta de auto-controle, perturbações emocionais e pensamento negativo.
  • Componente Social: investiga como os diferentes fatores sociais, como o status socioeconômico, cultura e as relações sociais podem influenciar a saúde.

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O modelo biopsicossocial baseia-se, em parte, na teoria social cognitiva, o que implica o processo de tratamento da doença requerer uma equipe de saúde que pontue aspectos biológicos, psicológicos e sociais que influenciaram um paciente.

Em um sentido filosófico, este modelo afirma que o funcionamento do corpo pode afetar a mente e o funcionamento da mente pode afetar o corpo.

O modelo atual não contempla o infortúnio de leis e amarras jurídicas éticas profissionais que perduram por anos a fio e estão longe do binômio necessidade-necessidade e sim muito próximos ao seu antagonista necessidade-possibilidade.

Temos que ser resilientes e estar atentos, mapear, bem como rever conceitos nas relações médico-paciente desde o contexto na atenção primária até a atenção terciária. Implementar desafios de práticas humanizadas em saúde, considerando sua relevância e a problemática da humanização como necessidade social.

Fonte:  Dr CLICIO J. DEZORZI

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