29Abril2017

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Camboriú

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Camboriú capital do mármore e granito

Até o século XVI, a região era ocupada pelos índios carijós, os quais foram escravizados em massa pelos moradores de São Vicente.8 Os primeiros colonos de origem europeia, vindos das ilhas dos Açores e Madeira, chegaram no século XVIII à foz do Rio Camboriú, onde hoje é o bairro da Barra, atualmente pertencente a Balneário Camboriú, e lá fundaram o Arraial de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Construíram também a capela Santo Amaro, existente até hoje. Outros colonos ocuparam o Canto da Praia, atual Bairro dos Pioneiros, também no município vizinho. Em busca de terras férteis, o vale do Rio Camboriú foi aos poucos sendo ocupado, formando povoados como o São Francisco (também chamado de Barranco), e a Vila Garcia.

Camboriú foi emancipada de Itajaí em 5 de abril de 1884, elevando-se à categoria de vila. A sede do município, localizada na Barra, logo foi transferida à Vila do Garcia, devido ao seu vertiginoso desenvolvimento, onde hoje está o centro da cidade e principal núcleo populacional do município.

A economia da cidade, na primeira metade do século XX, desenvolvia-se com relativo vigor, em virtude da exploração de mármore e granito, onde suas jazidas eram abundantes; e da cultura do café, levando Camboriú a líder estadual de produção dessas duas atividades. A agricultura era principal fonte de renda, contando ainda com culturas do arroz, milho, aipim, trigo, feijão, banana, cana-de-açúcar e hortaliças, além da pesca e a pecuária.

A partir da década de 1950, com a decadência da cultura cafeeira devido a adversidades climáticas, onde a cada inverno safras se perdiam com as geadas, Camboriú descobriu uma grande "mina de ouro": o mar. A pesca já era importante fonte de renda da cidade desde seus primórdios, mas o turismo começava a ser descoberto. Alemães e descendentes vindos da região do Vale do Itajaí já utilizavam a Praia de Camboriú para o lazer e lá construíram imponentes casas de veraneio em estilo enxaimel e germânico (algumas ainda remanescentes, quase todas deram lugar a espigões de concreto armado), e passaram o hábito do banho de mar ao povo local, que antes apenas se banhavam para fins medicinais. Com o primeiro panfleto turístico com fins de divulgação deste balneário, o bairro da praia logo receberia visitantes de todo o Estado e posteriormente de outros, desenvolvendo-se rapidamente, até se tornar Distrito.

Mas, na década de 1960, o grande crescimento, o boom do turismo e o do setor imobiliário levaram um vereador a apresentar um projeto de lei visando à emancipação do Distrito da Praia de Camboriú. Tão desenvolvido estava o distrito que dali era a maior representação da Câmara Municipal. Após várias discussões e manifestações, em 20 de julho de 1964 o projeto foi aprovado e naquele momento se emancipava e se fundava o município de Balneário Camboriú. Para a cidade de Camboriú, a perda da parte mais desenvolvida foi muito pesada.

A partir daí, a cidade parou no tempo. Para agravar o quadro, a Comarca de Camboriú se transfere para o novo município, construindo lá seu fórum. Em 1970, outro fator negativo: foi inaugurada a BR-101, asfaltada e por um caminho mais rápido e seguro, passando longe da cidade, já que a antiga estrada cortava a cidade e escoava a produção agrícola e, principalmente, da mineração. Falando na mineração, as jazidas de granito e mármore, outrora abundantes, que lhe concederam o título de "Capital do Mármore", entrava em plena decadência, até o esgotamento das grandes jazidas. A partir daí, a cidade sobreviveu do que restava das pedreiras, da cerâmica de telhas e da agricultura.

No final dos anos 1980, a cidade, que estava com aparência de "cidade-fantasma", despertou. O elevado custo de vida do município vizinho fazia com que os novos moradores viessem a se instalar na cidade. Surgiram novos bairros como o Monte Alegre, Tabuleiro e Areias, antes bairros rurais. A industrialização surge também, com a criação dos distritos industriais do Cedro e do Tabuleiro. A cidade volta a respirar.

Em 1993, o prefeito Ainor Lotério lança o Turismo Ecológico-Rural em Camboriú. Favorecido por florestas de mata Atlântica, cachoeiras, trilhas e montanhas, o município passa a dar valor à essas riquezas. Donos de fazendas do interior da cidade transformam suas propriedades em hotéis-fazenda e pesque-pague, criando grandes opções de lazer. Em 1995, foi inaugurado o Hospital Eduvirges Bernardes, atual Fundação Hospitalar de Camboriú São Francisco, ainda único hospital da cidade. Em 1996,, Camboriú ganhou o selo de cidade de grande potencial turístico pela Embratur. E, em 2000, a cidade voltou a ter sua comarca judicial e seu fórum instalado.

Nos últimos dez anos, ocorreu uma explosão demográfica na cidade. Novos loteamentos surgiram, alguns sem infraestrutura básica como água e saneamento, causando grande impacto ambiental. O rio Camboriú e seus afluentes passaram a sofrer com a poluição e degradação de seus mananciais e surgiram favelas. A população em 1996 era de aproximadamente 35 000 e, em 2006, passava dos 50 000, exigindo do poder público investimentos mais pesados para manter a qualidade de vida da cidade, abalada também pelo aumento da criminalidade. A pacata cidadezinha ganhou outros ares por conta do progresso. O progresso que o povo não queria, infelizmente.

Recentemente, foram apresentados projetos de saneamento da cidade, os serviços de água e esgoto foram municipalizados. Foi criada uma comissão para controle de degradação ambiental e ocupação irregular (CUIDA), as ruas centrais ganharam asfalto e reurbanizadas e está previsto para breve o novo Plano Diretor Municipal. E, na área turística, está sendo implantado, nas proximidades do bairro do Barranco, um condomínio de alto padrão com campo de golfe de padrão internacional.
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